sexta-feira, 26 de abril de 2013

Grito desesperado de uma Curitibana !!!





Eu acuso!

Eu, Anamaria Arruda, acuso as autoridades políticas do meu País, por assassinato!
Por, com a sua inércia e sua incompetência, permitirem que -  de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) -  apesar de o Brasil representar apenas 2,8% da população mundial, registra 11% dos homicídios em todo o planeta!!! 
Isso é inaceitável! É estarrecedor!

Estou cansada de ser brasileira e de ter uma Presidente fantoche de um analfabeto ex Presidente! 
Não é possível mais suportar a carga de viver neste país!
Até quando vamos deixar tudo nas mãos de Deus? 
Por acaso a Bíblia não nos ensina que Deus não faz nada que o homem possa fazer? 

"Tirem a pedra! Lázaro, vem para fora"!... Será que alguém que ressuscita um morto não teria poder para remover uma pedra?...
É incompreensível para mim viver a experiência de andar de dia nas ruas do Cairo e andar sozinha por Telaviv à noite, sem se sentir ameaçada. Aqui fico apavorada só de sair fora do portão do meu prédio, à noite.

O assassinato de um médico aqui em Curitiba, na última terça-feira 19/02/2013, voltou a assombrar a população de Curitiba. Dói imaginar a angústia que esse homem sentiu por ver a sua família ameaçada e não poder fazer nada. Angústia que me leva às lágrimas, ao comentar o caso com minha filha, no café da manhã. Não importa se não há laços de sangue entre nós, somos todos irmãos, vítimas de uma guerra inominável. Mais uma família destroçada! 
A arma apontada para minha cabeça, há alguns anos,  na noite em que, ao chegar à casa de uma amiga - levaram meu carro, minha paz e meu sossego, pode disparar a qualquer momento, em qualquer esquina...Seja contra o vizinho do meu filho, no Batel, morto diante da mulher e do filho adolescente, ou contra um ex-prefeito, perto de minha casa, em uma tarde de sábado no centro...
Pode ser em uma manhã, contra uma moça com o filhinho no colo, morta dentro de uma loja no Boa Vista, ou dentro de uma floricultura, às 14h30 de uma sexta-feira,  no Bigorrilho, bairro em que moro.

Não é justo o sentimento de medo que nos domina! Não é humano suportar essa situação que mina nossas energias, abate o nosso espírito, nos faz esperar sempre pelo pior! Quem já passou pelo terror que é estar a mercê de marginais com uma arma apontada para sua cabeça, sabe que jamais será a mesma pessoa. Dirigir olhando constantemente pelo retrovisor, e com a incerteza se vai conseguir chegar em casa com vida, é um massacre diário! Caminhar nas ruas, agarrada à bolsa, é desgastante. Desconfiar de cada pessoa que se aproxima, é absurdo. A cada sirene que se ouve, o coração fica apertado...quem será dessa vez?

De que adianta o país se vangloriar de seus "altos  índices econômicos"? Ou uma cidade, de sua qualidade de vida? Que vida é essa? Qualidade de vida é ter um iPhone no bolso? Até quando ele será seu?
No final dos anos 80, solicitei algumas vezes o Resgate Social, aqui no meu bairro, para encaminharem crianças que cheiravam cola em plena luz do dia...
Eles me respondiam que não poderiam fazer nada, porque não era permitido levá-las contra a vontade delas...
Eu argumentava que, se não recebessem assistência, mais tarde - quando estivessem crescidos - seriam levadas de camburão...seria isso justo?
De lá para cá a criminalidade cresceu assustadoramente! O crack tomou o lugar da cola; as armas de fogo tomaram o lugar dos canivetes...
O discurso da esquerda, de que a violência seria resultado das diferenças sociais não "cola" mais. 
Acredito que a razão maior para chegarmos ao ponto que chegamos, seja a nossa tolerância com a maneira miserável de sermos governados. Por aceitar a dignidade perdida...pela preguiça que temos de sair às ruas, exigindo um país com vergonha na cara...
Por achar que viver dessa maneira é uma "fatalidade". Não é! Fatalidades são terremotos, maremotos, tempestades...
Por, ao som de um pagode, a vitória do time favorito, ou a última aquisição tecnológica, a maioria do povo brasileiro achar que vive em um país decente...
A droga escraviza a todos nós, quando nos darão a carta de alforria?

Governo do Estado, Governo Federal acorde! A segurança pública é sua responsabili-dade! Não gaste a verba de que dispõe, com publicidade! A melhor publicidade do seu governo é uma população com segurança, saúde e educação! É, acima de tudo, uma população sem medo!
Chega de ouvir vocês dizerem: 
"Não reajam! Entreguem tudo"!
Nós é que dizemos a vocês: 
"Reajam! Entreguem seus míseros cargos politicos safados, se não são dignos deles"!

O povo do Paraná e de todo o nosso Brasil agradece!

 
 

1 comentários:

Anônimo disse...

Hoje li com tristeza o relato de Liliana Cabral “ Grito de uma Curitibana “ !!!!
Mais uma morte violenta na cidade modelo …. na “capital qualidade de vida”
como diz o artigo publicado em

http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/noticias/0,,OI3030029-EI14058,00-Curitiba+e+a+capital+da+qualidade+de+vida.html

Qualidade de vida pra quem ? Pra quem sem nenhum direito rouba a VIDA dos cidadaos, que destroi uma inteira familia e com todo direito pode se refugiar naquilo que se chama “direitos humanos”, direitos humanos so serve pra proteger marginal.

Eu sai de Curitiba e vivi no Rio de Janeiro, com todo medo e tomando toda precaucao para que nada me acontecesse, e vivi 6 anos tranquilos sem que nada tivesse acontecido a mim ou a pessoas que conheco.

Eu ainda tinha a lembranca de sentir me segura em Curitiba, mas la fui roubada no transito duas vezes. A casa de meus pais e de pessoas que conheco foram roubadas. Meu vizinho foi morto por um menor porque este nao deu a chave da moto ao marginal, um outro conhecido encontrou ladroes na sua casa que tinham rendido sua esposa e filho, conseguiu reagir um dos ladroes morreu outro saiu ferido e ele teve que passar por uma cirurgia para retirar a bala do coracao. Uma amiga sobreviveu a um disparo contra o taxi em que ela escapava depois de ter encontrado ladroes na sua casa que ficava dentro de um condominio fechado. Como se nao bastasse Curitiba se tornou famosa aqui na Europa com o caso da Doutora Morte” do hospital evangelico, e falando nisso a mae de um amigo pode ter sido uma de suas vitimas….
Isso nao e mais noticia de TV ou radio essas coisas horriveis estao acontecendo no nosso circulo de amizades ....

E triste ver meu pai sair de casa armado para se proteger, e triste chegar em casa e encontrar o muro da frente pichado, e triste ter que construir uma casa-prisao com muros altos, grades e todo sistema de alarme possivel e imaginavel , porque temos que gastar ainda mais em seguranca se ja pagamos impostos que deveriam garantir a seguranca publica. E como diz a Liliana Cabral e triste ter que desconfiar de qualquer um que se aproxime de voce.

Eu vivi no Rio de Janeiro e posso dizer que me sentia mais segura la no Rio que em Curitiba, depois vim pra Europa, sofri terremoto, sofro crise europeia, sofro de saudades da minha terra do meu pais da minha cidade, que foi quem sabe um dia um modelo. Penso em voltar, penso sempre, mas me distancio deste sonho a cada noticia sobre o aumento da marginalidade. Nao existe mais a cidade pra voltar.

DEVEMOS como cidadaos exigir o desarmamento, uma pistola nao pode conhecer a mao de um adolescente, ou de um marginal.
VAMOS pras ruas VAMOS lutar por mais seguranca VAMOS pras urnas e principalmente VAMOS exigir acoes mais energicas dos nossos governantes, mensalmente, diariamente se for preciso, nao podemos deixar o tempo passar . Viver no medo nao e viver !!!

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