terça-feira, 23 de abril de 2013

NOTA OFICIAL DO SINDIJORI - Jornalistas são Assassinados em Minas Gerais




             Crimes contra a liberdade de expressão

O Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais - Sindijori/MG, acompanha com atenção a apuração dos assassinatos do radialista e jornalista Rodrigo Neto e do repórter --fotográfico Walgney Assis Carvalho, ocorridos recentemente na região do Vale do Aço, em Minas Gerais. O Sindijori/MG se solidariza com os familiares e amigos de Walgney Carvalho e de Rodrigo Neto e clama por justiça.

Entendemos que o Governo de Minas e o Governo Federal devem somar todos os esforços no sentido de apurar e levar a julgamento os responsáveis por tais crimes, sob pena de serem também responsabilizados por novas ocorrências contra a liberdade de imprensa em Minas Gerais. Consideramos que cabe também ao judiciário acompanhar o desenvolvimento das ações policiais no sentido de coibir a ocorrência de novos crimes e acelerar o julgamento desses e de outros casos que atentam contra a liberdade de expressão em todo o País.

Belo Horizonte, 23 de abril de 2013

              Alexandre Wagner da Silva
             Presidente do Sindijori e em nome de
            toda a diretoria.

SINDIJORI
Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais
Filiado a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – Fiemg


Jornalista e radialista Rodrigo Neto é assassinado a tiros em Ipatinga

O jornalista, radialista e repórter policial Rodrigo Neto foi covardemente assassinado ontem com dois tiros por uma dupla de motociclistas. Ele saia do Churrasquinho do Baiano, no bairro Canaã, que freqüentava habitualmente quando foi alvejado por uma dupla de motociclistas.

O jornalista e radialista Rodrigo Neto foi assassinado ontem com dois tiros por uma dupla de motociclistas quando saia do Churrasquinho do Baiano, no bairro Canaã, em Ipatinga. Natural de Caratinga, Rodrigo Neto trabalhou como repórter policial do “Diário Popular”, onde foi responsável por uma série de reportagens investigativas, iniciou a carreira no “Diário de Caratinga”, veio para o “Diário do Aço”, em Ipatinga, mas sempre teve grande paixão pelo rádio. Atualmente era um dos locutores do “Plantão Policial” na Rádio Vanguarda e havia acabado de retornar à imprensa escrita como repórter policial do jornal “Vale do Aço”. Rodrigo Neto era formado em Direito e estudava com afinco para tornar-se delegado, tendo prestado diversos concursos públicos. Seu objetivo era combater a impunidade e a corrupção no meio policial.

Ao longo de sua carreira como jornalista e radialista Rodrigo Neto foi um dos mais combativos profissionais na apuração e denúncia de diversos crimes ocorridos no Vale do Aço. Tinha especial indignação em relação a crimes coletivos que nunca foram apurados, como a Chacina de Belo Oriente, da qual volta e meia lembrava, porque, no seu entender, as autoridades policiais só não desvendavam e puniam os autores porque não queriam. Também denunciou com tenacidade a série de crimes do “assassino da moto verde”, a chacina de Revés do Belém, a Chacina do Paraíso, da qual voltou a lembrar nos programas do Plantão Policial ao comentar o assassinato do pai de um dos envolvidos na execução do policial militar Amarildo Pereira de Moura, 50 anos, ocorrida no início de fevereiro.

Já há algum tempo Rodrigo Neto temia pela própria vida. Ele foi alvo de diversas ameaças em razão das denúncias que fazia na imprensa falada e escrita. Chegou a prestar depoimentos junto à Corregedoria da Polícia Civil sobre os crimes que denunciava. Rodrigo Neto deixa a esposa Bia e o filho Arthur, 7 anos, por quem era apaixonado.


Telefonemas revelam lista para matar jornalistas

ReproduçãoWalgney Assis Carvalho foi morto em pesque-pague no último domingoWalgney Assis Carvalho foi morto em pesque-pague no último domingo
A onda de crimes contra profissionais da imprensa no Vale do Aço pode não ficar restrita aos assassinatos do repórter policial e apresentador Rodrigo Neto, em 8 de março, em Ipatinga, e do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, morto no último domingo, em Coronel Fabriciano.

Outros dois jornalistas sofreram ameaças e estariam na lista de um grupo de extermínio formado por policiais da região. Para proteger os profissionais, a polícia intensificou patrulhamento perto da casa de um deles.

As ameaças aconteceram depois dos dois assassinatos. O editor do jornal "Diário Popular", Fernando Benedito, e o comunicador Carioca, que apresentava o programa Plantão Policial ao lado de Neto na rádio "Vanguarda AM", seriam os próximos alvos dos matadores. A informação já circula entre os profissionais da imprensa que atuam na região.

Benedito foi informado que "deveria ficar mais manso com a corporação" para que nada de ruim acontecesse. A ameaça a Carioca chegou pelo número de telefone 190, da Polícia Militar. (PM). Uma ligação dava conta de que o radialista poderia ser morto porque "sabe demais" sobre os crimes ocorridos no Vale do Aço.

As forças de segurança que atuam em Ipatinga têm conhecimento das ameaças, mas ainda não investigam os autores. A Polícia Militar informou apenas que o policiamento foi reforçado nas imediações da casa de Carioca, com viaturas passando na rua onde ele mora "com mais frequência que o normal".

Como as investigações correm em sigilo, a Polícia Civil não repassou muitas informações. Apenas se limitou a dizer que há diversas linhas de investigação para as mortes de Neto e Carvalho. O delegado Wagner Pinto, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), esteve em Ipatinga e Coronel Fabriciano.

A rotina dos dois jornalistas ameaçados mudou desde então, segundo colegas. Qualquer motocicleta que para ao lado deles é motivo de apreensão e eles não saem mais sem sentir medo de todos aqueles que se aproximam.
A ordem agora, principalmente depois do assassinato de Carvalho, é manter a discrição. Falar abertamente sobre o assunto, por exemplo, é praticamente proibido, uma vez que a sensação de insegurança impera entre os profissionais envolvidos na cobertura. 

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