quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Com rodízio, moradores de Carmo de Minas reclamam de qualidade da água

Água sai das torneiras turva e com mau cheiro; SAAE afirma que é potável.
Desconfiados, moradores buscam água na mina e reclamam da escassez.


Com falta de água, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Carmo de Minas(MG) precisou adotar o rodízio no abastecimento da cidade. Mas além de enfrentar a escassez nas torneiras, moradores reclamam que a água chega turva e com mau cheiro. O SAAE afirma que a água é potável e que não há problema em consumí-la.
Na casa da cabeleireira Denise Ferreira de Faria, pratos, copos e talheres não veem água há muito tempo. A roupa suja se acumula. "Não tem como a gente garantir a limpeza de casa. Essa água não tem como usar, está em péssimas condições”, reclama.
O diretor do SAAE, Sebastião Oliveira Junqueira Neto, garantiu que a água é potável, apesar da cor e do cheiro. “O cheiro da água que nós temos hoje é que nós tínhamos uma represa que há três, quatro anos ela encontra-se praticamente no volume morto. Só que com as chuvas do início do mês de setembro, essa represa ganhou volume e abrangeu uma área maior que já estava com vegetação nativa. Hoje, devido ao alagamento, essa vegetação está em decomposição e aí ela solta esse cheiro. A água é potável e sempre é analisada”, afirma.
Após rodízio, moradores reclamam de água suja e mau cheiro em Carmo de Minas (Foto: Reprodução EPTV)Após rodízio, moradores reclamam de água suja e mau cheiro em Carmo de Minas (Foto: Reprodução EPTV)
Mesmo assim, a água escura desperta a desconfiança de muita gente. Com 73 anos, o marido da dona de casa Maria Fátima dos Santos Albino está doente, e por isso, não bebe água da torneira. “Ele já não está muito bom para alimentar, a gente fica dando isso... nem a comida eu estou fazendo com essa água aí, pra ninguém aqui”, explica.
A aposentada Jucilene Maria da Silva diz que passa mal após tomar a água. “Dá dor de cabeça, enjoo. Quando tem água, eu fico brigando com as minhas meninas: ‘não toma água da torneira’”, conta.
Sem poder usar a água que sai de casa, a mina na cidade virou ponto de encontro dos moradores. A cada minuto mais gente com garrafas chega ao local. O autônomo Ângelo Sérgio Brito precisou até pagar táxi para pegar 30 litros de água. “Faz muito tempo que não tem água [na torneira]. Mas no fim do mês a conta de água vem do mesmo jeito ‘né’”, comenta.
A doméstica Clarice Ferreira da Silva reclama da mesma situação. Na última conta, veio um gasto de R$ 30, e por isso, ela cobra água de qualidade dentro de casa. “Você paga uma coisa que não tem, quando tem cai mais ou menos umas duas horas por dia e suja, e quando ‘ver’ não tem mais água”, reclama.
O diretor do SAAE afirma que uma estação de captação deve ficar pronta em dezembro deste ano, e com isso, melhorar o abastecimento na cidade. “Entregando essa obra, nós não vamos mais ter problemas com relação a isso”, promete Junqueira Neto.


Fonte G1

0 comentários:

Postar um comentário