terça-feira, 22 de setembro de 2015

Jovens da Zona Sul formam gangues em rede social e cercam ônibus na saída da Praia de Copacabana



Uma enorme confusão assustou quem passava por Copacabana no fim da tarde deste domingo. Após mais um dia de calor e praia, com registros de roubos e furtos, jovens se juntaram para barrar e conter banhistas que deixavam o bairro. Em ônibus superlotados, pessoas tiveram que fugir pela janela para escapar da confusão. A cena foi registrada em vídeo pelo bancário Matheus Rodrigues, de 32 anos, que passava pelo local no momento do tumulto. Policiais foram chamados até a Rua Dias da Rocha, onde um coletivo foi parado por um grupo de jovens, e contiveram tentativas de linchamento no local.
A confusão seria uma reação combinada a uma série de assaltos registrados no bairro recentemente, principalmente nos dias de praia. Segundo o comando do 19º BPM (Copacabana), no fim da tarde, assaltantes tentaram cometer furtos a motoristas que estavam presos no engarragamento. Segundo a PM, agentes a pé conseguiram conter suspeitos e os levaram para as 12ª e 13ª DPs (Copacabana e Ipanema), onde ocorrências são registradas. Ainda não há informações sobre o número de presos ou feridos.
Jovens quebram ônibus durante confusão em Copacabana
Jovens quebram ônibus durante confusão em Copacabana Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Pessoas tiveram que sair do ônibus pela janela durante a confusão em Copacabana
Pessoas tiveram que sair do ônibus pela janela durante a confusão em Copacabana Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Assim que o tumulto começou, moradores relataram nas redes sociais sobre supostos arrastões no bairro. Na página “Copacabana Alerta”, que reúne moradores da região, dezenas de internautas comentaram sobre o ocorrido. Muitos elogiaram uma iniciativa de moradores de Copacabana de reagir contra a onda de arrastões no bairro e sair às ruas para “fazer justiça”. Alguns integrantes do grupo disseram na rede que a ação teria sido planejada “no sapatinho”, depois que um deles pediu para ser adicionado a um grupo de WhatsApp, onde as ações teriam sido organizadas.
— Começou um barulho que parecia até de tiro e muita gente começou a correr. Foram chegando muitos carros de polícia, com sirene ligada e, como moro perto da Nossa Senhora de Copacabana, desci para ver. Só dava para ouvir as pessoas gritando, correndo, umas diziam que estava tendo um arrastão. Parece que já tinha um grupo perseguindo o ônibus, não consegui identificar se queriam pegar alguém específico ou se era contra um grupo. O ônibus estava superlotado e parecia que tinha tido uma confusão lá dentro — conta Matheus, que registrou a cena.
Pessoas fogem do ônibus pelo saída de emergência. Polícia registrou assaltos em Copacabana
Pessoas fogem do ônibus pelo saída de emergência. Polícia registrou assaltos em Copacabana Foto: Reprodução / Facebook
“Polícia não faz nada, os justiceiros fazem! Meus aplausos”, comentou um internauta, no grupo, apoiado por outros seguidores da página: “Só assim temos alguma chance de mudar a situação”, “Meus aplausos, meu agradecimento e meu ‘muito obrigada’”, “Meus aplausos e agradecimentos também para os nossos justiceiros”. No mesmo grupo, moradores relataram furtos na região e também na orla de Copacabana.
Moradores comentam que ações foram organizadas no WhatsApp
Moradores comentam que ações foram organizadas no WhatsApp Foto: Reprodução / Facebook
Moradores comentam ações de justiceiros em Copacabana
Moradores comentam ações de justiceiros em Copacabana Foto: Reprodução / Facebook
Em outros grupos de moradores de bairros da Zona Sul, comenta-se sobre o tumulto em Copacabana e pedem informações sobre a situação na região. Há também mensagens sobre confusões que teriam acontecido em outros bairros.
Assaltos acontecem dez dias após decisão judicial
A série de arrastões na cidade aconteceu no primeiro fim de semana de sol após uma decisão do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, Juventude e do Idoso, que proibiu a PM de apreender crianças e adolescentes que não estejam em flagrante ou com mandado de busca e apreensão em aberto. O pedido para vetar as ações da polícia havia sido feito pela defensora pública Eufrásia Souza Das Virgens, num habeas corpus. Há um mês, o EXTRA flagrou a apreensão de cerca de 150 adolescentes, pela polícia, que estavam a caminho das praias da Zona Sul.
Neste domingo pela manhã, fotógrafos do jornal “O Globo” flagraram diversos roubos nas areias da Praia de Ipanema, que estava lotada. Em nota, a PM informou que as praias estão com policiamento reforçado desde 16 agosto, quando teve início a Operação Praia. Ontem, mais 40 policiais foram deslocados para reforço do policiamento nas proximidades do Arpoador. Ainda segundo a assessoria, foram registradas, ontem, oito ocorrências de furto ao longo do dia na área do 23º BPM (Leblon). Trinta e três pessoas foram conduzidas para delegacias e abrigos.
A corporação afirmou ainda que conta com o apoio da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social, que vem acompanhando as ações. A ação em conjunto entre os órgãos também foi uma exigência da Justiça, durante uma reunião que aconteceu no último dia 10.
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, falou ao EXTRA que a PM está cumprindo uma decisão judicial.
- Ordem judicial se cumpre. A Polícia Militar perdeu a prerrogativa de agir na prevenção. Só pode agir depois do ocorrido. Ainda assim, foram detidas 25 pessoas em Botafogo - afirmou.
A promotora de Justiça Janaína Vaz Candela Pagan, coordenadora da promotoria que atua junto à Vara da Infância, discorda que haja relação entre os arrastões e a proibição imposta à PM:
- Em primeiro lugar, a decisão judicial apenas reforçou algo que já está previsto em lei. Mas a PM continua podendo agir dentro dos casos em que os adolescentes sejam pegos em flagrante cometendo um ato infracional.
- A polícia tem que cumprir o seu papel e seguir a lei. Não pode levar crianças e adolescentes para a delegacia apenas por achar que eles vão cometer crimes. Qualquer adolescente que esteja cometendo um ato infracional deve ser aprendido. Parar o ônibus, fazer a abordagem não é o problema. A Justiça já deixou isso claro. Quem me ameaça e me culpa só pode estar agindo de má-fé. O arrastão não é um fenômeno novo da cidade - afirmou Eufrá


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/jovens-da-zona-sul-formam-gangues-em-rede-social-cercam-onibus-na-saida-da-praia-de-copacabana-rv1-1-17551814.html#ixzz3mTxOEFcC

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