terça-feira, 16 de maio de 2017

PCC domina a cracolândia e movimenta 8 milhões de reais por mês no local


SÃO PAULO. O Primeiro Comando da Capital (PCC) implementou um modelo similar ao da concessão de franquias para comandar o tráfico de drogas na Cracolândia, no centro de São Paulo. A estimativa da polícia é a de que a venda de crack movimente R$ 8 milhões por mês, com 19 quilos da droga comercializados por dia, apontou o jornal “O Estado de S.Paulo”. Segundo a Polícia Civil, os criminosos vendem um ponto com a garantia de que o “franqueado” vai comprar crack exclusivamente da facção criminosa, que fica com parte do lucro. Em troca, oferece o produto e a segurança do local.
O preço de cada ponto gira em torno de R$ 70 mil a R$ 80 mil. As investigações já rastrearam 34 barracas instaladas na Alameda Dino Bueno, vendendo crack ao ar livre. Cada uma conta com uma mesa e três traficantes para comercializar a droga. Os criminosos usam os próprios usuários como escudo para uma eventual ação da polícia. Na mesa, são colocados pequenos pedaços de crack, enquanto porções maiores ficam escondidas.

Os investigadores estimam que, atualmente, 800 pessoas consumam crack na região. Os números mostram que houve um aumento significativo de venda de droga em menos de um ano. Em agosto de 2016, o Departamento de Narcóticos (Denarc) fez uma operação na Cracolândia e prendeu 32 traficantes e apreendeu armas pesadas, como fuzis e metralhadoras. Na época, havia 18 barracas e 10 quilos de crack eram vendidos por dia, movimentando R$ 4 milhões por mês.
Imagens gravadas por câmeras da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e por policiais infiltrados mostram que os traficantes estão usando armas pesadas, como submetralhadoras, sem qualquer preocupação em escondê-las.
mulher grávida usa crack

Prefeitura
Prazo. O prefeito João Doria (PSDB) reiterou que a Cracolândia está com seus dias contados, o que ocorrerá “em breve”. “Nada vai precipitar ações e não faremos de maneira atabalhoada”.



Semana foi marcada por confrontos

 Na quarta-feira (10), a polícia confirmou que Bruno de Oliveira Tavares, 34, funcionário de uma empresa especializada em remoção clínica e psiquiátrica, foi morto após ter sido sequestrado, torturado e mantido em cárcere privado na Cracolândia. Ao ser abordado por traficantes, ele teria dito que era do Comando Vermelho (CV), facção fluminense rival do PCC, e teve a morte decretada. Ele portava uma identificação de bombeiro.
mulher fuma em plena luz do dia enquanto homem é subjugado pela droga

Também na quarta-feira, dois pedestres tiveram seus celulares roubados e avisaram a GCM. Os guardas perseguiram e prenderam quatro suspeitos no meio dos usuários e foram encurralados. Na sequência, uma pessoa foi baleada, um ônibus sequestrado e lojas, saqueadas.

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