quinta-feira, 27 de julho de 2017

Amazônia, biopirataria e o futuro da humanidade


Nós, brasileiros, aprendemos desde crianças sobre as riquezas naturais do país e, principalmente, o potencial da floresta Amazônica, que tem 60% de sua extensão localizada no Brasil.
Do solo, que produz uma enzima capaz de transformar matéria orgânica em biogás, às plantas que inspiram soluções mais baratas para captação de energia solar, a região é conhecida mundialmente como celeiro de ideais que podem mudar o destino da humanidade.
O sistema de locomoção de um enxame de formigas que se movem sem colidir umas nas outras tem servido de base para o desenvolvimento de carros autônomos. A rã Tungara, espécie de anfíbio que cria uma espuma duradoura, inspirou ideias para geração de energia e tecnologias de captura do dióxido de carbono. A nanoestrutura única da asa azulada de uma espécie de borboleta é utilizada em sensores de gás ao redor do mundo.
O limite para a lista de exemplos é a da inventividade humana, pois 25% da biodiversidade terrestre mundial fica na Amazônia, onde uma nova espécie é descoberta a cada três dias. “É razoável esperar que a região amazônica detenha os segredos para muitos produtos naturais que irão nos ajudar no futuro”, admitiu o presidente da Space Time Ventures, Juan Carlos Castilla-Rubio, no Encontro Anual dos Novos Campeões 2017, organizado pelo Fórum Econômico Mundial, realizado em Dalian, na China, no final do mês passado.
Biopirataria e desmatamento
Uma das maiores ameças para o futuro da região, segundo Castilla-Rubio – fundador de uma start-up de biotecnologia que funciona há 30 anos na Amazônia  –, é a biopiratria que está, sem suas palavras, “enraizada” no solo amazônico. Ele lembra o caso da borracha, que foi a indústria mais importante do Brasil até as sementes da seringueira serem traficadas para o sudeste asiático, causando o colapso do mercado no país.
O outro exemplo é a recente aprovação da MP 756, que tem sido alvo de críticas por possibilitar o aumento do desmatamento na região Amazônica, segundo ecologistas. “Nós temos queimado o conhecimento da Amazônia e no lugar dela construído supermercados para vender carne para o mundo. Precisamos reverter isso”, alerta Castilla-Rubio.

O desmatamento para criação de gado
No final do ano passado, a Amazônia estampou os jornais do país e do mundo com uma infeliz manchete: desmatamento aumenta 29%.  Pior, essa triste notícia não vinha sozinha. Nos últimos quatro anos, é a terceira vez que o desmatamento aumenta na região. A pergunta que fica é “o que fazer, então?”.


A resposta parece óbvia: aumentar a fiscalização e a proteção nas florestas. Mas parece que não é bem assim que pensam alguns dos ministros do governo Temer. Nesta semana, trancado em uma sala refrigerada em Brasília, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB/RS), tramava junto aos ruralistas do estado do Amazonas uma maneira de diminuir Áreas Protegidas recentemente demarcadas, fazendo assim a alegria dos grileiros de terras da região, e ligando o modo “dane-se” para a floresta. Detalhe, a negociata toda se dava sem nem mesmo um aviso ao Ministério do Meio Ambiente.
Como se não bastasse, há alguns dias o Conselho de Defesa Nacional pediu a retirada de um processo que havia sido enviado à ONU para reconhecer o Parque Nacional da Serra do Divisor, na fronteira do Acre com o Peru, como patrimônio natural da humanidade junto à Unesco. A vantagem desse tipo de reconhecimento é o aumento na proteção do parque e a possibilidade de atrair investimentos em turismo sustentável, por exemplo.

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